terça-feira, 26 de junho de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5 
EDITORA: ROCCO, CORTESIA
ISBN: 9788532530721
GÊNERO: HISTÓRICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 272
SKOOB

Conheci o trabalho do brasileiro Samir Machado de Machado ano passado, quando li o seu último lançamento, Homens elegantes. Como sou formado em História, gostei bastante da proposta do autor em retratar uma época tão legal quanto o período colonial da história brasileira. Vi muitas das discussões realizadas em sala de aula narradas em acontecimentos e transformadas em personagens que me cativaram e me ganharam por inteiro. Nesse sentido, não pensei duas vezes quando surgiu a oportunidade de ler seu primeiro livro publicado, Quatro Soldados, que seguia a mesma estrutura e estilo do outro. No entanto, não conseguiu superar minhas expectativas, tornando-se uma leitura arrastada.

Brasil, 1754: nos últimos anos da guerra contra as Missões Jesuítas, quatro jovens têm seus caminhos entrelaçados. Um alferes que, ainda adolescente, recebe seu primeiro comando, um rígido e melancólico capitão de cavalaria, um desertor que vive do contrabando de livros e um tenente de motivações sempre ambíguas. Em comum, possuem a mesma inquietação com seu papel no mundo, enquanto vão e vêm no espaço mítico e nebuloso da fronteira brasileira do século XVIII. Entre labirintos perdidos, animais fantásticos e viagens subterrâneas, entre o Iluminismo e o Terremoto de Lisboa, nenhum deles, nem mesmo o narrador, consegue passar incólume. Talvez nem mesmo você.

Quatro Soldados foi uma leitura que tinha tudo para me ganhar por completo: mistura fatos históricos com ficção, além de colocar seus personagens em situações um tanto inesperadas. São quatro histórias que se entrelaçam, pois um mesmo personagem aparece na história seguinte, além do fato de que o autor coloca um quê de realismo mágico. Imagina você morar numa cidade e saber que nas matas das proximidades há um labirinto que quem visita morre? Ou então ouvir a lenda de uma criatura horripilante que assusta a todos? Ou, pior ainda, encontrar um padre decapitado, mas com a cabeça de mula no lugar da sua? Pois então. São situações como essas com que nossos personagens se deparam, deixando as histórias um tanto inusitadas.

No entanto, o que poderia ser o maior esforço do autor, e admiro isso, acabou se tornando o fator que transformou totalmente minha relação com o livro. A sensação que tive ao ler Quatro Soldados é como se fosse transportado diretamente para o século XVIII. Já sentira isso com Homens elegantes e se repete com esse. Samir escreve realmente como se estivesse no passado longínquo. E se o leitor não está acostumado, estranha e pode achar a leitura um tanto entediante. E acredito que foi isso que me impediu de me envolver tanto com o livro. A história, que poderia ter sido feita em uma semana, se arrastou por quase um mês. Talvez se ler o livro daqui a alguns anos, meu julgamento mude totalmente. Mas, no presente momento, não foi aquilo tudo que achei. Apesar disso, Samir utiliza um recurso que torna a história irreverente: cria um narrador dando indícios para o leitor que aquelas histórias realmente aconteceram. O jogo de palavras utilizado no início de cada história dá um ar mais verídico e próximo da realidade colonial do Brasil. Além disso, há um certo humor em seus personagens.

Samir Machado de Machado é um autor que merece ser conhecido. Além de ser brasileiro e contar histórias do passado do país, tem um jeito único de narrar. Realiza uma pesquisa acadêmica considerável transformando numa trama cheia de reviravoltas e situações um tanto divertidas. Recomendo a leitura!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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